O plano A -Terceira parte
Sexta – feira, 27 de maio de 2011.
Terceira parte.
Cheguei a Londres dia 14 de setembro de 2008. Levei comigo expectativas e sonhos de liberdade e independência.
As primeiras semanas foram de adaptação. Eu vivia com um casal. Ari e Joyce Gagnor em um pequeno apartamento próximo a estação de metrô Caledonian Road. A senhora de cabelos brancos e curtos, rechonchuda, de unhas pintadas era cabeleireira aposentada e ganhava a vida alugando um dos quartos do apartamento. O senhor era um imigrante italiano igualmente rechonchudo que também vivia ali. Éramos três no apartamento chamado “Loraine Maison”. Vivi ali apenas duas semanas, tempo suficiente para aprender que enought é satisfeito e que a pontualidade inglesa era levada muito a sério por ali. Foram nas primeiras semanas que conheci o grego Orlando, os turcos Bilal, Muge, Esra e Ufuk, os brasileiros Rafael, Camila e Fernanda e a adorável koreana Jiun.
Duas semanas se passaram e eu tive que me mudar para outra casa. A Fernanda sugeriu que eu morasse na mesma casa onde ela, Camila e Rafael viviam. Era uma casa grande situada em Kilburn. Lá moravam a dona da casa Carmel, sua filha Collete, o namorado dela Steven e mais oito estudantes e o gato Orlando.
Todos os dias eu pegava o ônibus 189 com destino a Oxford Street, onde se localizava ficava minha escola: Oxford House College. Passava as manhas estudando gramática inglesa e compreensão. As tardes eram livres e eu sempre caminhava pela Orford Street, ou em pelos parques londrinos, aos pontos turísticos como o Big Bem, museus, catedrais, etc...
Passado algum tempo, pude conhecer melhor as pessoas que conviviam comigo. A Fernanda se revelou uma pessoa estranha, meio louca eu diria, A Camila era muito doce com todos. Sofria por estar longe da família e do namorado deixados no Brasil. O Rafa, meu companheiro inseparável de balada e bebida, se revelou um bom amigo e conselheiro. A Jiun era uma graça de menina, tão bonita e meiga que parecia uma boneca de porcelana. Conheci também outras pessoas queridas: o Rafael de Porto Alegre, o Rafa de São Paulo, o Alberto de Madrid, a Diana da Colômbia, a Fabiola de Suzano a Misu e o Hio Doung da korea, a Dan do Japão...
Tudo corria bem. O tempo passou e minha estadia em Londres estava chegando ao fim. Eu estava cada vez mais apaixonada pela cidade.
Foi em uma balada para estudantes que eu comecei a traçar o plano B: Conheci um moço suíço muito bonito chamado Florence. Conversamos, dançamos e descobri naquela noite que qualquer homem podia se aproximar de mim, e gostar do meu jeito, gostar de mim como sou. Naquele dia, eu decidi que eu não teria raízes fincadas em lugar algum. E seria feliz onde eu encontrasse o amor.
Voltei ao Brasil 17 dias depois.